Le Santé

Medicamentos para gastrite podem dobrar o risco de câncer?

14 de agosto de 2018

Dúvidas sobre medicamentos são comuns. Uma questão sobre os riscos que certos remédios podem causar, é em relação ao omeprazol e o pantoprazol. Alguns artigos na internet afirmam que esses medicamentos podem dobrar o risco de câncer gástrico. Mas será que isso é verdade?

Omeprazol, pantoprazol e similares são parte de uma classe de drogas denominada inibidores de bomba de próton (IBPs). Esses medicamentos inibem a secreção de ácido pelo estômago, tratando doenças como úlceras, refluxo gastroesofágico e infecções pela bactéria H. pylori.

Os IBPs revolucionaram o tratamento de doenças ácido dependentes. Seus resultados são excelentes para a cura e a qualidade de vida dos seus portadores. A preocupação maior é sobre seu uso contínuo, que a ação potente dos IBPs poderia acelerar o desenvolvimento da doença.

Uma análise realizada pelo grupo Cochrane em 2014, não encontrou evidências claras de que, em seres humanos, o uso prolongado de IBPs promova o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas no estômago. Entretanto, os autores indicam que mais estudos são necessários para avaliar essa relação.

Sendo assim, não existe nenhum consenso científico relacionado ao uso contínuo de IBPs pode aumentar ou não o risco de câncer.

Pesquisadores de Hong Kong acompanharam pessoas que haviam sido tratadas de infecção por H. pylori. Segundo resultados da pesquisas, aqueles que tomaram IBPs por um longo tempo tiveram um risco maior de serem diagnosticados com câncer gástrico. Porém, com esse tipo de tratamento é possível saber o que foi a causa do aumento do diagnóstico da doença. Por exemplo:

  • Uma pessoa que consuma muito álcool e tenha que usar IBPs por mais tempo. Assim, o álcool pode ter sido a causa do câncer, e não o medicamento. É sempre bom lembrar que correlação não implica causa e efeito.

Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, sigla em inglês), o H.pylori também é um fator de risco para o câncer gástrico.

A NHS afirma que os pacientes não devem dar grande ênfase para esse estudo. Sendo que o uso prolongado de IBPs foi relacionado com apenas 4 casos de câncer para cada 10 mil pessoas. Um risco proporcionalmente pequeno.