Le Santé

Diagnóstico precoce do câncer salva vidas e reduz custos de tratamento

26 de março de 2019

Obter um diagnóstico precoce de câncer é algo essencial para iniciar um tratamento rapidamente, aumentando as chances de sucesso do tratamento e recuperação da doença. A realização de exames em si não é capaz de prevenir o aparecimento de um câncer, mas é capaz de identificar um tumor numa fase tão inicial que pode ser encarada como uma medida preventiva, uma vez que reduzem as chances de complicações e de morte pela doença. A melhor forma de garantir o diagnóstico na fase inicial de um câncer é investir nesses exames chamados de preventivos e de rastreamento.

O rastreamento prevê ações organizadas que envolvem o uso de testes simples aplicados a determinados grupos populacionais, com a finalidade de identificar lesões pré-cancerígenas ou cancerígenas em estágio inicial em indivíduos com doença assintomática. O diagnóstico precoce inclui ações de detecção de lesões em fases iniciais a partir de sintomas e/ou sinais clínicos.

É importante que a população em geral e os profissionais de saúde reconheçam os sinais de alarme para o câncer, como nódulos, febre contínua, feridas que não cicatrizam, indigestão constante e rouquidão crônica, antes dos sintomas que caracterizam lesões mais avançadas, como sangramento, obstrução de vias intestinais ou respiratórias e dor. O rastreamento pode ser populacional, quando há iniciativas de busca da população-alvo, ou oportunístico, quando as pessoas procuram espontaneamente os serviços.

Atualmente, recomenda-se o rastreamento populacional para cânceres de mama e colo do útero, e algumas sociedades médicas e organizações o preconizam também para câncer de cólon e reto. Os rastreamentos populacionais de câncer da próstata e da cavidade oral exigem ainda estudos epidemiológicos que embasam sua adoção como política de saúde pública.

Principais recomendações de rastreamento para os tipos de câncer mais incidentes na população brasileira:
Mamografia e ultrassonografia mamária:

A mamografia é o exame oficial para diagnóstico do câncer de mama. A recomendação de órgãos como o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Sociedade Americana do Câncer é de que a mamografia seja feita anualmente a partir do 40 anos. Essa diretriz é válida para mulheres assintomáticas e que não apresentam histórico familiar da doença ou alterações em exames anteriores.

Essa faixa etária foi escolhida porque as mulheres entre 40 e 69 anos são as principais vítimas da doença, uma vez que a exposição ao hormônio estrógeno (principal causador dos tumores) está no auge com a chegada dessa idade. A partir dos 50 anos, particularmente, os riscos entram em uma curva ascendente.

A mamografia só pode ser feita a partir dos 25 anos de idade, uma vez que a radiação pode afetar as mamas mais jovens. Por isso, adolescentes até essa idade podem optar pela ultrassonografia mamária para acompanhamento e diagnóstico de eventuais alterações nas mamas.

Colonoscopia:

A colonoscopia é um exame que permite ao médico analisar o revestimento interno do intestino grosso e parte do delgado. A colonoscopia é considerada um dos principais métodos de rastreamento do câncer de cólon e reto, uma vez que consegue identificar alterações da mucosa do intestino que podem evoluir para um câncer, o tratamento destas já reduz o risco da doença.

Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a colonoscopia deve começar a ser feita a partir dos 50 anos de idade para pessoas sem histórico familiar de câncer colorretal. Aqueles que possuem fatores de risco devem incluir o exame na rotina após os 40 anos ou 10 anos antes da idade do caso mais precoce na família. Se os exames forem normais, devem ser repetidos a cada 5 ou 10 anos. Já o resultado alterado deve ser repetido conforme orientação médica.

Papanicolau e colposcopia:

Os exames para diagnosticar HPV e câncer de colo uterino são o Papanicolau e a colposcopia. O câncer de colo do útero tem como principal causa a infecção pelo vírus HPV, por isso os exames servem para acompanhamento de ambas as doenças. Por ser um câncer que demora muitos anos para se desenvolver, os exames podem ajudar no diagnóstico precoce. Fatores como início precoce da atividade sexual, diversidade de parceiros, tabagismo e má higiene íntima podem facilitar a infecção por HPV.

Não existe uma idade certa para iniciar os exames de rastreamento do HPV e câncer de colo do útero. De maneira geral, a recomendação é iniciar os preventivos após a primeira relação sexual ou quando houver intenção de praticar o ato. Mulheres sexualmente ativas devem fazer o Papanicolau uma vez ao ano. O objetivo é avaliar o colo uterino em busca de células alteradas para indicar a necessidade de outros exames, como colposcopia e biópsia.

Outros exames recomendados são ultrassonografia transvaginal, vulvoscopia, captura híbrida e exames de sangue. Eles ajudam na prevenção de lesões no colo do útero, miomas, cistos nos ovários, infecções, endometriose, entre outros problemas.

Dosagem de PSA e toque retal:

Para a investigação correta do câncer de próstata, devem ser feitos os exames de toque retal e dosagem do hormônio PSA, além da análise clínica completa e eventualmente ultrassom de próstata por via retal.

A idade para iniciar os exames varia: para a população geral, sem fatores de alto risco, a idade indicada é a partir dos 50 anos. Naqueles com critérios de alto risco (afrodescendentes, familiares de primeiro grau que tiveram câncer de próstata antes dos 65 anos) está recomendado o rastreamento aos 45 anos.

O exame de toque e PSA devem ser feitos sempre e em conjunto, pois o toque retal nem sempre pode detectar um câncer que apresenta dosagem de PSA, assim como de 24 a 40% dos tumores não apresentam altas dosagens da proteína PSA, não sendo detectados pelo exame, mas podem ser pelo toque. O exame de toque retal dá informações adicionais sobre a próstata, mesmo que não relacionadas à doença maligna, como a hiperplasia prostática benigna. Além disso, o toque retal também possibilita encontrar pólipos e fazer retirada de pele para biópsia.

A detecção precoce do câncer também reduz consideravelmente seu impacto financeiro, o tratamento nas primeiras fases não é apenas mais barato, mas as pessoas poderão continuar trabalhando e apoiando suas famílias se tiverem acesso a um tratamento eficaz em tempo. Em 2010, o custo anual total do câncer (medido por gastos de atenção à saúde e pela perda de produtividade) foi de cerca de US$ 1,16 trilhões.

As estratégias para aprimorar o diagnóstico precoce podem ser incorporadas facilmente em sistemas de saúde por um baixo custo. Por sua vez, um diagnóstico precoce eficaz pode facilitar a detecção do câncer em pacientes em fases iniciais, o que possibilita a aplicação de tratamentos que costumam ser mais efetivos, menos complexos e mais baratos.

Em estudos realizados em países de alta renda, por exemplo, comprovou-se que o tratamento de pacientes com câncer diagnosticado precocemente é de duas a quatro vezes menos dispendioso quando comparados aos tratamentos dados às pessoas que tiveram câncer diagnosticado em uma fase mais avançada.